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Horário:
Organização:
Grupo de Investigação Associado
Tipo de Evento:
Da Iluminura ao Meme: TRANSFERÊNCIAS entre texto e imagem da Idade Média à pós-contemporaneidade_S3
SEMINÁRIO PERMANENTE 2026
Abril-dezembro de 2026
SESSÃO 3
25 junho 2026
Memes gerados por IA a partir da cultura visual: remix, sobrevivência das imagens e agência criativa
Felipe Aritimuño (CIEBA-FBAUL)
Nesta comunicação, propomos refletir sobre os memes gerados por IA a partir da cultura visual, entendida como campo de análise das imagens, das suas circulações e dos modos como produzem sentido social, político e pedagógico. Partimos da identificação de uma continuidade simbólica entre a geração de imagens por IA e a cultura do remix, considerando que os modelos generativos expandem práticas de apropriação, repetição e deslocação presentes na música das décadas de 1970 e 1980, no hip-hop, no graffiti, no stencil e, mais tarde, nos memes digitais.
A partir da leitura de Georges Didi-Huberman sobre a sobrevivência das imagens em Aby Warburg, interessa-nos pensar como certas formas visuais regressam em novos contextos, transportando memórias, conflitos e narrativas que não se organizam de modo linear. A imagem sobrevivente permite compreender estes retornos como aparições deslocadas, marcadas por temporalidades impuras, nas quais o passado continua a agir no presente. As Pathosformeln, ou fórmulas de pathos, ajudam-nos a pensar a persistência de gestos, expressões e intensidades visuais que atravessam diferentes épocas e que, na atualidade, são recombinados por sistemas capazes de produzir personagens, cenas, estilos e temporalidades sintéticas.
Observamos hoje, no Instagram e noutras plataformas, influenciadores artificiais que circulam por diferentes épocas históricas, personagens políticas controversas geradas por IA e remixes audiovisuais que reconfiguram referências da cultura popular . Estes conteúdos levantam questões relevantes para a educação visual e histórica, sobretudo quando podem despertar interesse pelo passado, mas também simplificar processos históricos, naturalizar anacronismos ou reforçar imaginários dominantes.
O foco recai sobre os modos de representação produzidos por estes conteúdos: quem fala através da imagem, que narrativas são fabricadas ou naturalizadas, que memórias são convocadas, que identidades são encenadas e que possibilidades de agência criativa permanecem disponíveis para nós, simultaneamente consumidores e criadores de conteúdos de media. Em diálogo com o projeto E-ARTi, procuramos pensar as possibilidades de empoderamento visual e mediático na era da IA, considerando a literacia mediática, a criação expressiva e a produção de imagens com intenção crítica, responsabilidade cultural e consciência das suas implicações educativas.
FLUP, Sala 306 | 17h00
Ligação para o Teams: https://bit.ly/4sADbDj
Organização: CITCEM-FLUP — Sociabilidades e Práticas Religiosas (Grupo de Investigação CITCEM)
Comissão organizadora: Nuno Resende (CITCEM-FLUP)
