ARQUEOCIÊNCIAS 2016: Recintos Peninsulares da Pré-História Recente. Métodos Multidisciplinares de Investigação

Tipo: Congresso

Local: FLUP-Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Data: 17 Março 2016

«different technologies produce different sites» (Gavin Lucas, Understanding the Archaeological Record, 2012:231)

Este encontro tem como principal objectivo questionar as relações entre as linhas interpretativas tecidas para os recintos da Pré-História Recente peninsulares e o conjunto de técnicas e métodos adoptados por cada investigador ou projeto de investigação (vindos da própria disciplina ou de outras ciências).

Desde o início do século XXI temos assistido a uma transformação do mapa arqueológico peninsular, com um aumento exponencial de recintos (de fossos) datados da Pré-História Recente. Este facto não se traduz apenas na colocação de pontos no mapa mas veio sobretudo questionar a interpretação dos recintos assim como a sua abordagem (identificação, escavação, processamento de dados). Se durante a história da Arqueologia Portuguesa, os estudos em Pré-História Recente se centraram nos recintos murados, hoje em dia a discussão parece concentrar-se em redor dos fossos concêntricos daqueles recintos de fossos. Embora estes recintos (de fossos) tivessem começado por ser interpretados enquanto povoados fortificados, explicação proveniente do contexto dos recintos murados, cedo começam a ser questionados enquanto locais de reunião, locais com carácter identitário onde um conjunto diverso de ações terão sido perfomatizadas, abordagem também inspirada no trabalho inovador desenvolvido na área dos recintos murados, sobretudo por Susana Oliveira Jorge. De então para cá, ter-se-ão estas novas/diferentes abordagens interpretativas/teóricas feito acompanhar de novas abordagens metodológicas nas intervenções no terreno e subsequentes estudos laboratoriais?

A escavação em área, o uso da fotografia, o registo de contextos específicos através do identificação tridimensional dos materiais, do desenho e da fotografia, a análise da fauna, os estudos de macrorrestos e microrrestos(e os métodos de recolha de amostras desenhados para cada sítio), o uso da estatística, entre outros, vieram não só fornecer novos dados mas introduziram novas questões na interpretação dos vestígios arqueológicos, revelando que estes se não deixam facilmente captar por um quadro teórico particular. Cabe perguntar então que estratégias de investigação têm sido aplicadas em casos concretos de recintos de fossos ou em recintos murados no sentido de abrir a interpretação aos novos modelos explicativos.

No inicio dos anos 90 do século XX em Inglaterra, Ian Hodder, Christopher Tilley, Michael Shanks, entre outros, afirmaram que o trabalho de campo não podia ser entendido separado do processo interpretativo, assim como o arqueólogo não era apenas um mero executor de técnicas mas agente ativo na produção de conhecimento, carregando consigo a sua bagagem teórica. Prática e teoria passaram a estar em ligação e o desafio situava-se (situa-se) em articular estas duas dimensões antes tratadas pela Arqueologia como duas entidades distintas e sucessivas. Esta nova abordagem implicava admitir que o conhecimento é situado no tempo e está dependente de um conjunto de constrangimentos políticos, sociais, culturais.

Se por um lado a introdução de novas abordagens em Arqueologia de campo transformou os próprios sítios de escavação, claramente com a escavação em área mas também com a adopção da fotografia como registo, o que introduziu preocupações estéticas, obrigando, por exemplo, a limpezas constantes (Lucas:2012), persiste a questão: Novas questões introduzem ou levam à aplicação de outros métodos ou outras técnicas?

Neste encontro procuramos abordar as linhas orientadoras de pesquisa em diversos recintos peninsulares equacionando as técnicas e métodos utilizados (em relação com o financiamento disponível e o quadro político vigente).  Procuramos também discutir as possibilidades e limites da investigação arqueológica na ausência de dispendiosas análises laboratoriais ou de intervenção/reconhecimento dos sítios assim como a formação dos arqueólogos enquanto mediadores entre amostras, outras ciências ou cientistas e resultados. Pretende-se também inquirir do interesse de outras áreas do saber nos estudo de contextos arqueológicos e "do modo como" se pratica o diálogo multidisciplinar.        

Mai informações na página web do Encontro: http://arqueocienciasflup.weebly.com/

Ficheiros

Cartaz Arqueociências 2016

Programa Arqueociências 2016